segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

tempos idos

por aqueles que um dia lutaram, das mais diversas formas pelo que hoje temos...

Tourada

"Não importa sol ou sombra
camarotes ou barreiras
toureamos ombro a ombro
as feras.


Ninguém nos leva ao engano
toureamos mano a mano
só nos podem causar dano
espera.


Entram guizos chocas e capotes
e mantilhas pretas
entram espadas chifres e derrotes
e alguns poetas
entram bravos cravos e dichotes
porque tudo o mais
são tretas.


Entram vacas depois dos forcados
que não pegam nada.
Soam brados e olés dos nabos
que não pagam nada
e só ficam os peões de brega
cuja profissão
não pega.


Com bandarilhas de esperança
afugentamos a fera
estamos na praça
da Primavera.


Nós vamos pegar o mundo
pelos cornos da desgraça
e fazermos da tristeza
graça.


Entram velhas doidas e turistas
entram excursões
entram benefícios e cronistas
entram aldrabões
entram marialvas e coristas
entram galifões
de crista.


Entram cavaleiros à garupa
do seu heroísmo
entra aquela música maluca
do passodoblismo
entra a aficionada e a caduca
mais o snobismo
e cismo...


Entram empresários moralistas
entram frustrações
entram antiquários e fadistas
e contradições
e entra muito dólar muita gente
que dá lucro aos milhões.


E diz o inteligente
que acabaram as canções."


Letra de José Carlos Ary dos Santos; Música de Fernando Tordo. Escrito no final de 1972. Interpretada por Fernando Tordo, concorreu ao Festival da RTP de 1973 onde obteve o 1º lugar.

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