terça-feira, 19 de maio de 2009

E agora.

Procuro por ti.

Vejo.te sempre. Nas esquinas da memória, nos cruzamentos dos sonhos.
Procuro.te na estrada da realidade.

E quando te vejo. Quando te vejo, sinto.me pequena novamente. Esqueço o porquê de um dia te ter dito que já não mais te queria ver.

Talvez não tenha esquecido. Percebi apenas que moras em mim, e que quando te tentei despejar, despejei parte de mim própria. Perdi.me sem ti para me encontrar sozinha e saber que precisava de te ter para saber onde queria ir.

Procuro por ti.

Nunca fecho a porta com medo de te perder de vista.

Nem sempre te encontro,
mas encontramo-nos sempre.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

tempos idos II

a música dá voz ao que muitas vezes sentimos.

Sol de Inverno

"Sabe Deus que eu quis contigo ser feliz
Viver ao sol do teu olhar mais terno
Morto o teu desejo, vivo o meu desejo
Primavera em flor ao sol de Inverno

Sonhos que sonhei, onde estão?
Horas que vivi, quem as tem?
De que serve ter coração e não ter o amor de ninguém?

Beijos que te dei, onde estão?
A quem foste dar o que é meu?
Vale mais não ter coração do que ter e não ter, como eu

Eu em troca de nada dei tudo na vida
Bandeira vencida, rasgada no chão
Sou a data esquecida, a coisa perdida que vai a leilão

Sonhos que sonhei, onde estão?
Horas que vivi, quem as tem?
De que serve ter coração e não ter o amor de ninguém?

Vivo de saudades, amor, a vida perdeu fulgor
Como o sol de Inverno não tenho calor

De que serve ter coração e não ter o amor de ninguém?

Vivo de saudades, amor, a vida perdeu fulgor
Como o sol de Inverno não tenho calor "

Letra, José Nisa; Música, Jerónimo Bragança; Intérprete, Simone de Oliveira.

tempos idos

por aqueles que um dia lutaram, das mais diversas formas pelo que hoje temos...

Tourada

"Não importa sol ou sombra
camarotes ou barreiras
toureamos ombro a ombro
as feras.


Ninguém nos leva ao engano
toureamos mano a mano
só nos podem causar dano
espera.


Entram guizos chocas e capotes
e mantilhas pretas
entram espadas chifres e derrotes
e alguns poetas
entram bravos cravos e dichotes
porque tudo o mais
são tretas.


Entram vacas depois dos forcados
que não pegam nada.
Soam brados e olés dos nabos
que não pagam nada
e só ficam os peões de brega
cuja profissão
não pega.


Com bandarilhas de esperança
afugentamos a fera
estamos na praça
da Primavera.


Nós vamos pegar o mundo
pelos cornos da desgraça
e fazermos da tristeza
graça.


Entram velhas doidas e turistas
entram excursões
entram benefícios e cronistas
entram aldrabões
entram marialvas e coristas
entram galifões
de crista.


Entram cavaleiros à garupa
do seu heroísmo
entra aquela música maluca
do passodoblismo
entra a aficionada e a caduca
mais o snobismo
e cismo...


Entram empresários moralistas
entram frustrações
entram antiquários e fadistas
e contradições
e entra muito dólar muita gente
que dá lucro aos milhões.


E diz o inteligente
que acabaram as canções."


Letra de José Carlos Ary dos Santos; Música de Fernando Tordo. Escrito no final de 1972. Interpretada por Fernando Tordo, concorreu ao Festival da RTP de 1973 onde obteve o 1º lugar.

num dia assim...

por vezes é em dias como tantos outros...

a vida surpreende-nos, a cada segundo que passa. e aí, talvez sejamos nós próprios que o fazemos. sim, por mais complicado que isso se torne prefiro pensar que assim é.

mudança... incerteza... dúvida... relutância... medo.

dúvida... há quem diga que na vida mais certo e determinante que a certeza é a dúvida em si.

anos que passam, lições que se aprendem, palavras mil vezes murmuradas de nós para nós na tentativa vã de criar uma regra suficientemente imperativa, dúvidas que fechamos num armário da mente e do coração que nos angustiam sempre que espreitam, pequenas coisas, de sempre que nos fazem felizes, plenos e conscientes de quem somos.

sim... sempre que há mudança procuramos por nós no labirinto dos anos, no cruzamento de sonhos avistados, de ilusões perdidas, de palavras murmuradas que em vez de regras imperativas afinal só nos lembram o porquê de ser tão importante que as murmuremos vezes sem conta, de erros, de erros que sabíamos ter de cometer, de memórias... e de dúvidas.

e depois... sabe bem voltar às ruas e estradas que tão bem conhecemos, procurar naqueles que as percorreram connosco também um pouco de nós...

e então quem sabe nos encontremos ao virar da esquina... numa gargalhada partilhada, no prazer de planos concretizados, num olhar que se cruza e na cumplicidade que vem do profundo conhecimento daqueles que se procuram insistentemente há tanto tempo... ou não... e então talvez a vida seja isso mesmo, a capacidade de a cada momento de busca, de dúvida, saber encontrar algo que nos faça sentir vivos e sentirmo-nos... nós.